Warning: "continue" targeting switch is equivalent to "break". Did you mean to use "continue 2"? in /var/www/html/nasadvoc.blog-dominiotemporario.com.br/web/wp-content/plugins/jetpack/_inc/lib/class.media-summary.php on line 77

Warning: "continue" targeting switch is equivalent to "break". Did you mean to use "continue 2"? in /var/www/html/nasadvoc.blog-dominiotemporario.com.br/web/wp-content/plugins/jetpack/_inc/lib/class.media-summary.php on line 87
Por que viajar para fora do país pode mudar sua vida? - Nycolle Soares

Por que viajar para fora do país pode mudar sua vida?

Bom, preciso já responder de cara que quando falo em viajar não falo sobre morar anos fora ou um período fora a trabalho, falo sobre aquela viagem de quinze dias para algum lugar do mundo que seja muito diferente da sua realidade.

Começando por esse ponto, já posso dizer que assim a viagem se torna mais possível para todos e partiremos daí.

Vivemos anos em um país em que que as passagens aérea e viagens para fora eram privilégios que uma parcela mínima da população tinha acesso. Esse cenário mudou e com isso, ainda que não seja a maioria da população, muitos passaram a ter condições de viajar para outros países.

Acredito que eu seja da geração que viveu essa transição. Quando criança e adolescente eu imaginava as viagens para fora do país como algo para pessoas muito ricas, artistas e famosos. Ao entrar na faculdade essa realidade começou a mudar e vi algumas pessoas começando esse movimento, tanto para ganhar dinheiro fora, como para conhecer.

Não tenho dúvidas de que com o fenômeno das redes sociais e da “popularização” da informação a mudança então tenha se consolidado. Com a riqueza de informações disponibilizadas gratuitamente viajar se tornou algo mais acessível no sentido financeiro e até mesmo “emocional”.

Falo sobre a questão “emocional” já que pra mim uma das maiores mudanças que viajar pra fora do país me trouxe foi justamente a vitória sobre alguma crenças limitantes. Minha primeira viagem aconteceu pois minha irmã se tornou bolsista do programa ciências sem fronteiras e foi morar em Londres. A partir do momento em que ela estava lá, na minha cabeça a ida para aquele país se tornou possível. Mentalmente possível.

Alguns meses se passaram após a ida da minha irmã e comecei a pensar seriamente sobre a possibilidade ir para a “terra da rainha” antes que ela voltasse.

Eu já havia emitido meu passaporte em 2013 e tinha em mente que minha primeira viagem seria para os EUA, só que agora eu vejo que essa primeira viagem jamais aconteceria justamente em decorrência das minhas crenças limitantes. Eu pensava na viagem e automaticamente fazia as contas de um valor mínimo que eu precisaria levar a mais para fazer compras!!! A “cultura” de viajar para consumir era o primeiro e um dos maiores impeditivos para que a viagem acontecesse.

Como minha irmã estava no Reino Unido a ideia de comprar seja lá o que for foi absolutamente eliminada pela conversão da moeda, a libra é uma moeda muito valorizada chegando a valer cinco reais, cada uma!

Com a ideia de compras eliminada e com uma moeda muito valorizada, o que em tese poderia ser uma barreira, se tornou um incentivo pois o meu raciocínio foi o de que eu precisaria somente do dinheiro para “sobreviver” lá e das passagens e o que ficou ainda mais forte foi que eu PRECISAVA agarrar aquela oportunidade já que com a minha irmã lá eu teria menos custos e ela não ficaria lá para sempre.

Comecei a pesquisar tudo sobre “como ir para Londres”, melhor época, momento ideal para compra de passagens, inseri um alerta no skyscanner para monitorar os valores das passagens (o google atualmente também tem essa ferramenta) e ativei todos os alertas de perfis no instagram que oferecem promoções de passagens aéreas.  Essas pesquisas se acentuaram por volta de agosto de 2014. Nesse período, passei por mudanças de trabalho, tive que fazer algumas opções em prol da carreira o que implicava em um ganho imediato menor naquele momento.

Às vésperas do natal de 2014, vi em um perfil no instragram que haveria uma promoção de passagens para Europa no período pós natal, possivelmente no dia 26/12. Como anunciado, no dia 26 de fato a promoção aconteceu, a TAP Air Portugal, estava com passagens saindo de Brasília para Londres com uma única escala em Lisboa e com um valor muito justo.

Eu já estava mentalmente preparada para a compra, o que não impediu que eu não tivesse observado que o limite do cartão não comportava a compra de duas passagens, em meio a compra tive que “correr” e buscar um outro cartão para que eu conseguisse realizar a compra das passagens. Então, fiquem atentos a isso, quando essas promoções acontecem a venda é muito rápida, estejam devidamente preparados.

Ao fazer a compra das passagens os “jogos” começaram. Naquele momento todo o foco e planejamento de vida precisaria ser organizado para em que maio eu tivesse dinheiro suficiente para viajar e que o trabalho estivesse devidamente organizado.

Até aquele momento na minha vida pessoal eu nunca havia tido a necessidade de me planejar tão bem, com um prazo tão “duro” já que remarcar ou cancelar as passagens implicaria em um prejuízo considerável.

Nos meses que se seguiram eu abri mão de praticamente todos os “pequenos” divertimentos, nos feriados não viajamos, nem no carnaval ou semana santa, as compras de qualquer tipo de objetos cessaram, comecei a fazer economia até mesmo com o “fazer as unhas”.

Algo que mudou completamente a minha “cabeça” foi que considerando o valor da libra naquele momento (R$ 4,71) eu não poderia comprar nada para viajar, um hábito bobo que adquiri ao longo da vida que me fazia gastar um dinheiro desnecessário. Chegaríamos em maio, já não estaria tão frio em Londres e usaria caso necessário as roupas de frio da minha irmã.

Ai vem o primeiro questionamento, e se eu não tiver “irmã”? Bom ai vem também o interesse em romper as crenças limitantes, quanto a vestuário você pode pegar emprestado ou comprar usado por exemplo, e você não precisa de 20 casacos só pra ficar diferente nas fotos (sim, é o que as pessoas pensam), um ou dois no máximo resolvem seu problema.

Outra questão é fazer a escolha do lugar de um modo em que isso facilite a sua viagem e não ao contrário. Claro que as vezes temos alguns sonhos em específico, que podem ser mais caros, mas se as oportunidades surgirem, por que não podemos ser flexíveis e abraçá-las?

Nos cinco meses que se passaram entre a compra das passagens e a viagem, me organizei como nunca, em todos os sentidos, fazendo economia, buscando ganho financeiro no trabalho, gerindo melhor o tempo e tentando otimizar tudo.

Talvez para muitos, viajar para fora do país seja algo comum, simples e até mesmo trivial, pra mim não era e talvez nunca seja, por isso tantos paradigmas foram quebrados. Consegui economizar dinheiro suficiente para viajar com tranquilidade, mas nada que me “autorizasse” a pensar em uma viagem comprando e gastando sem controle.

Algo que ajudou muito nessa viagem, foi justamente a cidade, já que Londres oferece uma infinidade de atrações gratuitas.  Fizemos as malas e fomos. A partir daí a minha vida mudaria tanto quanto eu jamais poderia imaginar.

Deu tudo certo na viagem, passamos um aperto na escala em Lisboa que nos fez correr dentro do aeroporto para o embarque no segundo voo e ai eu só conseguia pensar: “que aeroporto enorme”. Chegamos em Londres e nunca vou me esquecer, do vento frio que soprou quando saímos do avião e eu e meu namorado nos entreolhamos e rimos, como quem diz, conseguimos.

Passamos pela temida imigração do Reino Unido, conhecida por muitas vezes “mandar embora” aqueles que chegam, já que para os turistas não há exigência do visto, mas eles podem te impedir de entrar no país ali mesmo. Descobri que meu inglês quase não utilizado até então “dava pro gasto” e agradeci mentalmente todas as horas que passei vendo Dr. House.

Avistei minha irmã que não via há meses e ela nos abraçou nervosa, disse que demoramos e que pensou que algo errado tinha acontecido. Não aconteceu e saímos do aeroporto para pegar o trem e irmos em direção a parte central da cidade. Era um dia cinza, ventava, fazia um pouco de frio e garoava. Era Londres e eu não consegui acreditar.

A verdade é que muitas vezes me pego olhando para as fotos e não acredito que estive lá. Mas se existem provas, não há como questionar. Conheci um sistema de transporte eficiente e que dá a população dignidade e oportunidades. Senti o estranhamento em receber três centavos (tree pences) de troco, sem oferta de balinha, eram três centavos e todas as vezes que entregávamos muitas moedas a maioria dos caixas se quer conferiam o valor.

Conheci o Imperial War Museum, com toda a riqueza de detalhes e a dor que o povo londrino precisou suportar em tempos tão obscuros.

Me impressionei com a National Gallery, com sua entrada gratuita e sua imponência, só que eu não havia pesquisado antes sobre ela então optei por comprar o guia pelo incrível valor de uma libra !!!!! (Cinco reais) Ao pegar o guia reconheci a imagem de alguns quadros e fiquei atordoada… não sou grande conhecedora de artes, mas me lembro como se fosse hoje das aulas de educação artística e da professora explicando a importância dos quadros e dos pintores, para o próprio desenvolvimento da cultura mundial e a sua importância social. Então eu vi um MONET! Eu não consegui acreditar, pesquisei na internet para entender se de fato era o original… era !!! Meu Deus !!!!!!!!  E não parou por ai, vieram  Vanh Gogh, Caravaggio e Botticelli.

Fomos para a Escócia e o valor da passagem área era muito caixo. Pensei em como precisamos de passagens aéreas com esses valores no Brasil, que é um pais com dimensões continentais. Levamos uma bronca do guia/motorista do passeio que fizemos nas Highlands, nos atrasamos admirando uma vaca escocesa (vaca mesmo, elas são muito fofinhas) e ao voltar para o ônibus o motorista nos deu uma bronca daquelas. No meio do passeio ele perguntou a nacionalidade das pessoas e falamos a nossa ele então disse, “meu Deus, o que estão fazendo aqui?!” E nós, rimos.

Não compramos quase nada objetos, fizemos apenas duas refeições em restaurantes um pouco mais caros, comemos muito fast-food e cozinhamos “em casa”. Tentamos economizar no transporte andando o quanto fosse possível e mesmo assim nos divertimos muito, muito mesmo!

Dali em diante todas as minhas crenças limitantes tinham caído por terra, entendi que não precisava de rios de dinheiro para viajar, que me preocupar com comprar coisas me impediria de conhecer lugares e eu nunca mais quero isso pra minha vida, passei a desejar cada vez mais um país melhor para nós brasileiros, vi com meus próprios olhos que existem opções de transporte público que funcionam, conheci estudantes brasileiros que mudaram todo o contexto da vida deles a partir do ciências sem fronteiras e que com certeza representarão um avanço para o nosso país.

Ao “conhecer” o povo inglês percebi o quanto gastamos dinheiro com roupas e sapatos desconfortáveis, como valorizamos a questão da aparência e do corpo de maneira exagerada. Senti também gratidão pela cultura e abundância alimentar do nosso país, já que nossa comida é muito boa e variada (e a deles não é).

A viagem acabou e então voltamos, tudo correu bem. Me dei conta então que até ali eu jamais tinha conseguido guardar dinheiro satisfatoriamente e para viagem eu consegui! Mesmo passando por várias mudanças profissionais, mesmo tendo que fazer escolhas e alguns sacrifícios, consegui e outra mudança aconteceu. Passei a levar a questão da organização financeira muito a sério, ler e estudar a respeito, o que me levou a fazer um curso de Analista de Finanças, inclusive.

Minha mente se abriu de um modo que mesmo escrevendo esse texto longo a respeito, sinto que não consigo descrever de modo fidedigno. O dinheiro investido na viagem poderia ter sido usado na troca de um carro por exemplo, mas pra mim foi o maior e melhor investimento que eu poderia ter feito na minha vida. A pessoa que comprou as passagens para Londres não é a mesma que voltou e escreve esse texto. Existe um antes e um depois. Não por poder dizer que fui para esse ou aquele lugar, mas por essa viagem ter representado o abandono de uma série pensamentos e ideias que me limitavam.

Eu poderia escrever ainda mais sobre isso, mas acredito que a partir daqui cada um vai ter que viver sua própria experiência. Digo apenas que que se houver essa oportunidade na sua vida, não deixe escapar. Não faça loucuras, não se endivide ou queira uma viagem fora dos padrões que você pode pagar, mas não deixe de se planejar para ter essa experiência. Entre a compra de objetos e o investimento em uma viagem, pense se realmente aquela compra vai poder te proporcionar tanto crescimento.

Tudo que aprendi com a viagem continuo usando na minha vida, não compro mais coisas desnecessárias, tento não ser escrava da beleza e prezar o conforto, busco um país com mais serviços públicos que proporcionem dignidade a população, me programo para alcançar meus objetivos e o principal não deixo que nenhuma crença limite os meus sonhos.

Viajar foi a melhor experiência que eu poderia ter feito para encontrar a versão mais preciosa de mim mesma.

 

Obs:

Nos links abaixo vocês podem encontrar muitas informações sobre viagens

 

http://www.naterradarainha.com/

http://www.naterradarainha.com/

https://www.skyscanner.com.br/

 

3 ideias sobre “Por que viajar para fora do país pode mudar sua vida?

  • Viajar pra fora fez uma revolução na minha cabeça. Desde então valorizo demais esses momentos, pois eles são enriquecedores. E também doutrino as pessoas a investirem nisso. Não precisa de muita firula. Como planejamento e boas dicas, da pra fazer boas viagens sem grandes rombos financeiros. Milhas, Airbnb, amizades…ah Deus. Quantas possibilidades.

  • Bom dia Brasil,
    Nycole que encanto é enriquecedor texto vivido por você. Sou Morgana goianiense, vivo a quase dois anos em Espanha – Palma de Mallorca. E sim tem toda razão que maravilhosa experiencia é sair do país. Diferente de você eu estou aquí para viver. Devido a uma irresponsabilidade pessoal. Bem o interesante e saber que nosso país e rico, mas desordenado. Aquí vive bem ganhando pouco.
    Sucesso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: